NPC 81 – Controvérsias Históricas

Randal Bergamasco 29 de agosto de 2016 16
NPC 81 – Controvérsias Históricas

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Terra à vista! E lá vamos nós, em nosso episódio 81, falar sobre história! E pra ser bastante exato, vamos falar sobre as narrativas não contadas; ou talvez mostrar outras versões de eventos bastante conhecidos e propagados pelos nossos avós, pais, professores e historiadores. No programa de hoje, Randal Bergamasco (@randalberga) recebe o historiador Igor Guedes (@professorigor), o provocador Oleno Petrere (@ndox138) e o Lexcastiano Márcio Etiane (@oLexCast) para falarmos sobre CONTROVÉRSIAS HISTÓRICAS. Neste podcast, conheça outras variantes para o Descobrimento da América; saiba quem foi o português Duarte Pacheco Pereira, talvez o nosso “primeiro Cabral”; entenda melhor a imagem de Tiradentes, o “Cristo” brasileiro. O assassinato do Arquiduque Francisco Ferdinando foi o único motivo para início da Primeira Guerra? E você sabe realmente o que foi a Crise de 1929? Saiba um pouco mais sobre esses assuntos nesse episódio mais do que histórico!

:-: NÃO QUER OUVIR A LEITURA DE E-MAILS? :-:
Caso não queira ouvir o “Correio da Roça”, pule para 11:49 minutos.

:-: SITE DOS CONVIDADOS: :-:
– LexCast – Podcast de Márcio Etiane
– Um café e a conta – Blog de Igor Guedes sobre cinema
– Minas Colonial – Blog de Igor Guedes sobre história

:-: COMENTADO NESTE EPISÓDIO: :-:
– Os Vikings chegaram até a América? – Felipe Aron (YouTube)
– América: quem chegou primeiro? (Superinteressante Portugal)
– De onde vieram os índios? – Canal do Pirula (YouTube)
– Cabral não foi o primeiro Português a chegar no Brasil? – Canal Conhecendo a História (YouTube)
– Tiradentes e a “mentira” de alguns livros: a História como ciência – Canal Xadrez Verbal (YouTube)
– 21 de abril: Controvérsias sobre o mártir Tiradentes; veja curiosidades (Itaporanda Online)
– Stalin e Hitler – Rivais Idênticos (YouTube)
– Conheça líderes que estão entre os maiores assassinos do século 20 (Terra)
– Qual ditador matou mais em todos os tempos? (Superinteressante)
– Assassinato de Francisco Ferdinando (YouTube)
– Holodomor (História do Mundo)
– Resumo de História: Crise de 1929 – Canal da Débora Aladim (YouTube)

:-: PRÓXIMO NA PORTEIRA CAST: :-:
Previsão da publicação do próximo episódio: 20 de setembro de 2016.

  • Lauro Portela

    Bom dia/tarde/crepúsculo. Sou Lauro Portela. Tenho 32 anos. Moro em Várzea Grande (cidade vizinha a Cuiabá). Sou formado em História (disciplina que tenho Mestrado) e em Ciências Sociais (com TCC na área de Ciência Política). Sempre ouço os programas e desta vez sinto que posso contribuir.
    Duas controvérsias me chamaram a atenção: 1) quantidade de mortos por ditadores. Tirando o caso de Hitler, cujo interesse em contar as vítimas da chamada “Solução Final” era bastante grande, a relação de mortos de ditadores como Stálin, Mao Tsé-tung e Pol Pot. Foram ditaduras totalitárias, que infelizmente tiveram mortos. Todavia, há uma guerra de propagandas inclusive de sucessores. Por exemplo, o sucessor de Stálin, Nikita Khrushchev se empenhou em denunciar os crimes daquele como meio de combater os stalinistas. A fonte para os números de 25 ou 70 milhões de mortos vêm da propaganda de Khrushchev e seus “Documentos Secretos” (que contêm, na verdade, listas de nomes em torno de 700 mil pessoas). A esmagadora maioria dos mortos sob Mao se deu durante a guerra entre nacionalistas chineses e comunistas (cifras em torno de 2 milhões de mortos militares e algo em torno de 1 e 2 milhões de civis). Quanto a Pol Pot as estimativas estão entre 740 mil e 3 milhões de mortos – não esqueçamos que o Vietnã comunista combateu e tirou do poder o ditador cambojano.
    A conclusão que chego nesta triste contagem de mortos é a sede de poder, não importando a ideologia, mata em todas as épocas.

    2) Crise de 1929. A questão que incomoda no discurso do sociólogo (ou foi o historiador) opinante no programa é que o cerne da crise esteja no crédito. Naquela altura, 1929, o FED dos EUA já era uma instituição privada com controle público efetuado pelo Congresso estadunidense. Mas um pensamento era importante àquela altura: a crença na chamada Lei de Say (lê-se Lei de Sé). Esta lei propugnava como sendo natural e universal que toda mercadoria cria o seu mercado. Keynes e o próprio Henry Ford já desconfiavam que a aceleração de ganhos de capitais e sua concentração desembocariam numa crise de superprodução; ou seja, mercadorias sem mercado.
    Há diferenças entre o tipo de capitalismo do final dos anos 1920 e o atual capitalismo financeiro da crise de 2008. Atualmente, não há ou há muitíssimo menos lastro de produção no dinheiro. Hoje dívidas são mais do que negociadas: elas são fracionadas e revendidas.

    Fica um forte abraço deste também palmeirense.

    • Randal Bergamasco

      Obrigado por expandir o assunto, Lauro!
      Os comentários estão aqui justamente para que o assunto seja mais explorado.

  • Muito bom o episódio. Os convidados mandaram bem na participação. Ia mandar e-mail, mas como não tenho conteúdo suficiente pra agregar resolvi deixar meu feedback por aqui mesmo. Parabéns Randal e faço das palavras do Igor Guedes as minhas: “Saudades do Sacutti”

    • Randal Bergamasco

      Obrigado, Renan. Só não sei te precisar sobre o Sacutti, meu caro.

  • Daniel Mendonça

    Bom dia.
    Mais um ótimo programa, parabéns.
    Apenas como breve complemento à pequena lista de apenas um ‘salvador da pátria’, citado no programa, gostaria de incluir Sérgio Moro e o Japonês da Federal… ou estou errado?

    Vejo neste quesito uma forte ligação com Portugal e a lenda do retorno de D. Sebastião ou Sebastianismo, apesar do quê acredito este fenômeno não ser exclusivamente Brasileiro o Português. Vide as HQs americanas.

    Abraços

    • Randal Bergamasco

      Moro e o “Japonês” são encarados sim como “salvadores”, Daniel, principalmente pela direita. Depende apenas do lado em que vocês está, não é?
      Valeu pela participação!

  • Mecias Pepi

    Boa Noite a todos.

    Escutei o podcast pela manhã e achei incrível como tantos outros episódios do “Na Porteira do Tempo” ( Meu apelido para os episódios de historia). Apenas pra corroborar tudo que foi dito no cast, basta a gente esperar alguns anos e ver como nossa própria historia será escrita sobre os acontecimentos de hoje no nosso país. Consigo até imaginar as propagandas do PMDB com frases de efeito afirmando que deram um show de democracia derrotando a criminosa Presidenta Da Republica. Acho simplesmente triste que o ser humano seja tão fantástico em termos de adaptação e evolução e moralmente ser tão imbecil. Termino minha participação com uma pergunta: Em que grau de evolução a humanidade estaria se ao invés de encobrir os erros durante a historia aprende-se com eles?

    Ps: O exemplo sobre a politica foi meramente ilustrativo, não torci pra nenhum dos lados nessa historia, pois quem sempre vai sair perdendo somos nós mesmos.

    • Randal Bergamasco

      … assim como o PT usará a imagem do “Golpe” para ganhar adeptos e reforçar o seu discurso. É tudo muito complicado, Mecias. Como disse certa vez Marco Aurélio, “Tudo o que ouvimos é uma opinião, não um fato. Tudo o que vemos é uma perspectiva, não a verdade”. Nunca se esqueça disso.
      E obrigado pela passadinha por aqui!

  • Depois desse episódio fiquei preocupado. Tanta coisa que mudou e eu não me atualizei. Imagina se eu faço um concurso e cai uma questão relacionado a algum tema desses (claro, se eu não estudar né eheheh).
    De qualquer forma, obrigado pelo “cultura” =D

    Abraço
    EddieTheDrummer (PADD)

    • Randal Bergamasco

      Na verdade, não são mudanças não, Eddie; apresentamos aqui outras versões. Não devemos descartar as antigas, mas são outros fatos que geram outros ponto de vista.
      Obrigado pela audiência!

  • Darley Santos

    Os fatos e o discurso; o discurso e os fatos… Primeira vez que escuto o PorteiraCast e está aprovadíssimo, colocam o assunto na mesa e provocam a discussão, na medida do possível de forma não tendenciosa… Gostei da parte que vocês falam sobre a construção de mitos a pretexto da discussão sobre Tiradentes, e imediatamente me ocorreu que a construção de mitos é algo que parece continuar sempre atual, pois ainda é afirmada a figura do ex-presidente Lula como o “pai dos pobres”, sendo comparado inclusive pelos ideólogos de plantão com várias outras figuras históricas nacionais, como Tiradentes, tamanha a devoção fervorosa de uma esquerda febrilmente mitomaníaca. Sim, tudo é discurso, a questão é o quanto esse discurso é fidedigno à realidade!

    De fato, não dá pra engolir o engodo do messias político ou militar numa interpretação escatológica da história, esse foi um erro do passado, mas não podemos perder de vista que os “heróis” (Dá-lhe Liga da Justiça) das forças aliadas não o foram por predestinação divina e sim por uma conjuntura histórica que tornou a resposta ao totalitarismo alemão premente, urgente e necessária.

    Já havia ouvido falar sobre o evento do Holodomor, me arrisco a dizer que seja talvez o evento genocida mais cruel de toda a história da humanidade, gerando até casos insanos e depravados de canibalismo. Interessante considerar: será que a estratégia de Stalin com a Ucrânia inspirou Hitler a usar de estratégia parecida ao isolar os soviéticos no cerco a Leningrado, onde ninguém entrava e ninguém saía? (…) De toda forma, foram dois genocidas terríveis.

    Sobre a questão do Escola Sem Partido, eu não consigo entender a dificuldade em perceber que álgebra ou tempos verbais, ou ainda a tabela periódica e a anatomia dos seres vivos, não têm nada a ver com partidarismo político/ideológico. É só o professor fazer e entregar o serviço bem feito (metas cumpridas com êxito), seguindo as diretrizes educacionais e se atendo ao conteúdo programático, deixando suas preferências políticas e ideológicas fora da sala de aula. Uma coisa eu sei, pegou bem no calo da esquerda, que se doeu bastante com essa proposta…

    • Randal Bergamasco

      Criar heróis é necessário, Darley, é interessante tanto para grupos políticos quanto para satisfazer interesses econômicos (vide esportistas).
      Que bom que gostou! Esperamos contar com sua audiência!

  • Rodrigo Cavalcanti

    Gostaria de com todo o respeito pelo ótimo trabalho feito aqui corrigir um pequeno detalhe, primeiro agradeço pelo serviço que vocês prestam, adoro o podcast e peço que continuem firmes e fortes, saibam que quando ouço sempre gostaria que vocês escutassem meus aplausos.
    Pois bem senhores vamos ao assunto, meu nome é Rodrigo Cavalcanti e estudando a origem da minha família que tenho muito orgulho e já tive o prazer e honra de visitar, Firenze ( Florença), nesses estudos encontrei a figura que estranhamente é pouco comentada no Brasil e foi brevemente citada por um integrante do podcast que é o Amérigo Vespucci, conhecido aqui como Américo Vespuccio.
    Quando é questionado ” porque o nosso continente se chama América e não Colômbia?” a resposta é porque simplesmente o questionamento é totalmente sem propósito, óbvio com exemplo já provado dos nórdicos que não foi Colombo, que ” descobriu” o continente, mas também nada tem haver com isso é Vespucci.
    O nome de nosso continente é o seu porque ele foi notável por provar que a América não é uma porção da Ásia como se acreditava, crença que explica por exemplo porque chamamos os nativos dessa região de índios, associava-se a Índia.
    Navegando ao redor da América, o senhor Vespucci a mapeou e determinou que vivemos num pedaço de terra cercado totalmente por mar, determinando assim como um continente. Ele foi um dos primeiros exploradores e um grande homem, mas nada tem haver com o descobrimento em si pois veio depois. Ele deixa isso claro nas suas obras Mundus Novus e La Lettera. Isso tanto faz sentido que ele só foi completar essa viagem a serviço de Portugal em 1501, ou seja muito depois de Colombo, Duarte e até Cabral, tendo passado no extremo sul da Patagônia afirmando que o continente termina em 50º graus de latitude sul
    Além de que foi um dos principais sustentadores de Colombo afirmando que o mesmo havia descoberto um novo continente.
    Um abraço a todos!

    • Randal Bergamasco

      Correção feita, Rodrigo. E obrigado por elucidar melhor o caso do Américo Vespuccio.

  • Francys Charlie

    Muito bom, apenas cagaram feio quando se basearam em seitas conspiracionistas neoliberais para explicar a crise de 29, ou seja, negando que fora uma crise estrutural do sistema. Como podem ver aqui, nao havia superabundancia de credito devido ao FED e pode-se acompanhar a relativa estabilidade dos precos: https://1.bp.blogspot.com/-Tr2bgt4qWXA/Uu-tYQU0ErI/AAAAAAAAASE/-fpsdUoVFnY/s420/CPI.png